Vinícolas, neve, deserto, mar, vulcões, lagos… a lista de motivos para visitar o Chile, este país espremido entre os Andes e o Pacífico, é imensa. E não deixe que os preços te assustem: saiba quanto custa viajar para o Chile, programe seu orçamento com antecedência e desfrute desse belo destino de viagem.
Qualquer que seja o roteiro escolhido, não deixe de incluir uma visita a Pablo Neruda – o maior escritor e poeta chileno, ganhador do Nobel de Literatura –, ou melhor, uma visita a uma de suas três casas.
Neruda teve pelo menos três endereços no Chile: La Chascona, na capital, Santiago; La Sebastiana, em Valparaíso, cidade costeira, a 120 km de Santiago; e Isla Negra, situada também no litoral, em El Quisco, a 114 km da capital, e que, apesar do nome, não é uma ilha.
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As casas, atualmente administradas pela Fundación Pablo Neruda, converteram-se em pequenos museus que contam a história de seu dono, de seus amores, de seus amigos e, principalmente, do que lhe inspirava para escrever. Em todas as casas/museus existem audioguias bem explicativos, em várias línguas, inclusive em português.
Preservar esses lugares foi uma árdua missão. Neruda, que chegou a ser senador pelo Partido Comunista, foi um ferrenho opositor ao regime militar de Pinochet, e, depois de sua morte, suas casas foram saqueadas e invadidas.
Se você já é um apaixonado por Neruda, visite as três casas. Em cada uma delas você reconhecerá uma fase da sua obra. Se você ainda não foi devidamente apresentado ao grande poeta, visite ao menos uma (e muitos, se tivessem que escolher, iriam à de Valparaíso), pois é impossível não se emocionar e não querer saber mais sobre “El capitán”.
Afinal, não existe Chile sem Pablo Neruda e não existe Pablo Neruda sem Chile.
1. La Chascona, em Santiago
Localizada no bairro boêmio de Bellavista, em Santiago, La Chascona foi durante muitos anos a casa onde Neruda viveu seu romance secreto com Matilde Urrutia.
Matilde, dona de uma imensa cabeleireira ruiva, era carinhosamente apelidada de “Chascona”, que na língua quéchua significa “despenteada”. Os dois viveram um intenso romance, e foi Matilde quem, após a morte do marido, empreendeu grandes esforços para que sua memória fosse preservada, trabalhando muito para criar a Fundação Neruda.
Foto: Arturo Rinaldi Villegas
Passagens aéreas promocionais para Santiago!O arquiteto de La Chascona foi o catalão Germán Rodríguez Arias, mas pode-se dizer que Neruda foi coautor, pois fez inúmeras intervenções, inclusive mudando a posição da casa. Arias tinha privilegiado a vista para a cidade, mas o poeta queria ver a Cordilheira dos Andes e acompanhar a trajetória do sol.
Construída nos anos 50, a casa tem muitas referências ao mar, talvez a maior paixão de Neruda. A sala de jantar tem a forma de uma cabine de navio, a sala de estar parece um farol, e o jardim, que foi todo plantado por Matilde, tem ainda um caminho de água.
A coleção quase caótica de objetos vindos de todas as viagens de Neruda (que também foi diplomata, servindo ao país em vários postos na Europa e Ásia) podem ser apreciadas na casa. A obra mais intrigante e representativa é uma tela de seu amigo Diego Rivera, que pintou Matilde com 2 cabeças e o perfil de Neruda ao fundo escondido na imensa cabeleireira dela.
O caos semiorganizado e todos os “puxadinhos” acrescentados ao longo dos anos fazem desta visita uma caça ao tesouro. Talvez o maior tesouro seja o certificado do Prêmio Nobel da Literatura, vencido em 1971.
Casa Museu Pablo Neruda La Chascona – Santiago*
Endereço: Fernando Márquez de la Plata 0192, Barrio Bellavista, Providencia, Santiago
Telefone: +56-2-2777 8741 / +56-2-2737 8712
Horário: de março a dezembro: terça a domingo, das 10h às 18h; de janeiro a fevereiro: terça a domingo, das 10h às 19h; fechado às segundas
Entrada: $ 7.000 (sete mil pesos, aproximadamente R$ 42,50), estudantes $2.500 (R$ 15)
2. La Sebastiana, em Valparaíso
Cansado de Santiago, necessitando de um refúgio onde pudesse escrever mais tranquilamente, Neruda encontrou esta casa no Cerro Florida, em Valparaíso.
Valpo, como é carinhosamente chamada, é uma cidade portuária, com casas coloridas espalhadas pelas colinas, funiculares para subir e descer as ruas e o Pacífico em frente, para ser visto, sentido e apreciado em toda a sua imensidão. Uma casa que flutua, quase se desprendendo do seu morro e mergulhando no oceano.
Foto: Dan Lundberg
Voos em oferta para Valparaíso!Mas não foi tarefa fácil achar esse lugar. Neruda tinha alguns requisitos: não podia ficar num local nem muito alto, nem muito baixo; não podia ser nem muito pequena, nem muito grande; deveria estar isolada, mas não muito; os vizinhos precisavam ser discretos para não serem vistos nem ouvidos; algum movimento e comércio deveria ter por perto; a arquitetura deveria ser original, mas sem comprometer o conforto; e a casa tinha que ser barata.
A vista do quarto e do escritório são inigualáveis e, no jardim, um banco com o perfil do poeta convida o visitante a se sentar e esperar por aquela hora mágica em que o sol mergulha de cabeça no horizonte e Valparaíso homenageia seu exímio morador.
Nessa casa, Neruda passou seu último Réveillon, em 1973; ele adorava ver os fogos da meia-noite deste mirante privilegiado.
Conta-se que pouco depois da sua morte, um amigo foi até a casa e os vizinhos disseram que entrasse com cuidado, pois havia um movimento estranho lá dentro. Quando abriu a porta, deparou-se com uma águia, que saiu voando. Ninguém sabe como ela entrou. Todos sabiam, porém, que Neruda dizia que, se houvesse outra vida, ele gostaria de ser uma águia…
Casa Museu Pablo Neruda La Sebastiana – Valparaíso*
Endereço: Ferrari 692, Valparaíso
Telefone: +56-32-225 6606 / +56-32-223 3759
Horário: de março a dezembro: terça a domingo, das 10h às 18h; de janeiro a fevereiro: terça a domingo, das 10h às 19h, fechado às segundas
Entrada: $ 7.000 (sete mil pesos, aproximadamente R$ 42,50), estudantes $2.500 (R$ 15)
3. Isla Negra, em Isla Negra
Talvez a casa mais emblemática de todas – a primeira e a última. Foi a primeira que comprou ao voltar ao Chile, em 1937, depois de uma longa temporada na Europa, e também a última em que viveu: deixou Isla Negra doente e morreu alguns dias depois, em 23 de setembro de 1973, em Santiago.
A casa, também em formato de barco, possui uma coleção incrível de esculturas de sereias, mapas marítimos, garrafas, conchas. Há espaço ainda para a carreta de um trem de ferro, uma homenagem ao seu pai, que era ferroviário. Tudo nessa casa segue uma ordem mais afetiva do que cronológica.
Foto: Rodrigo Fernández
Os voos mais baratos você encontra aqui!Homem de muitos amigos, varava noites em saraus usando uniforme de capitão e gostava de ser chamado “El Capitán”. Escrevia nas vigas de madeira do bar da casa os nomes dos amigos que morriam como forma de tê-los sempre por perto.
Aqui, Neruda se isolava para escrever, e Isla Negra lhe pareceu um nome bem adequado – sentia-se protegido contra o barulho do mundo, cercado pelo mar batendo nas pedras negras da praia. Nessa casa, escreveu Canto Geral, sua obra maior.
No jardim, de frente ao mar, está sepultado ao lado de seu grande amor, Matilde, sob uma escultura em forma de estrela, onde sinos pendurados soam ao sabor do vento.
Casa Museu Pablo Neruda Isla Negra – El Quisco*
Endereço: Poeta Neruda s/nº, Isla Negra, El Quisco
Telefone: +56-35-247 5156 / 56-35-246 9280
Horário: de março a dezembro: terça a domingo, das 10h às 18h; de janeiro a fevereiro: terça a domingo, das 10h às 19h, fechado às segundas
Entrada: $ 7.000 (sete mil pesos, aproximadamente R$ 42,50), estudantes $2.500 (R$ 15)
Texto por Martha Estima Scodro, da Editora O Viajante.
*Fonte: Fundación Neruda; convém confirmar as informações antes de sua visita.
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