Da origem do nome Rio de Janeiro ao frescobol criado em Copacabana, a cidade guarda histórias e curiosidades que ajudam a explicar sua identidade.
1. A origem do nome Rio de Janeiro vem de um rio que não existe
Em janeiro de 1502, o navegador português Gaspar de Lemos chegou à Baía de Guanabara, às margens da qual a cidade seria oficialmente fundada anos mais tarde, em 1565. Na ocasião, confundindo a baía com a foz de um rio, os exploradores deram ao local o nome de Rio de Janeiro, por ter sido descoberto no primeiro mês do ano.
Embora essa explicação seja amplamente aceita, alguns historiadores apontam que, no século 16, ‘rio’ podia ser usado de forma mais ampla para designar diferentes corpos d’água. Seja como for, o nome pegou, e esse é um dos fatos curiosos do Rio de Janeiro mais conhecidos até hoje.

2. O Rio de Janeiro já fez parte de uma colônia francesa
Os portugueses podem ter sido os primeiros a chegar, mas foram os franceses que primeiro se estabeleceram na região. Em 1555, financiado pelo rei Henri II, o aristocrata Nicolas Durand de Villegagnon fundou o Forte Coligny em uma das ilhas na Baía de Guanabara: era o começo da efêmera colônia França Antártica, uma base militar importante nas Américas e um refúgio para os protestantes então perseguidos na França.
Apesar de sua vida curta – os portugueses tomaram a fortaleza em 1560 e expulsaram completamente os franceses em 1567 –, a colônia deixou a sua marca na história do Rio de Janeiro. Ainda hoje, a Ilha de Villegagnon, atualmente sob a responsabilidade da Marinha (brasileira, claro), leva o nome de seu primeiro ocupante.
3. O Rio foi a capital de um dos maiores impérios do mundo
Não é raro encontrar estrangeiros que pensam que o Rio é a capital do Brasil – afinal, até 1960, ano de inauguração de Brasília, a cidade de fato o era. O que poucos se dão conta é que o Rio foi não apenas a capital do nosso próprio país, mas também de um império global: quando a Família Real portuguesa e a sua corte se mudaram para o Brasil, em 1808, fugindo das tropas de Napoleão, a cidade foi transformada em capital do Reino de Portugal e de seu vasto império ultramarino.

4. Quem nasce no Rio é…
Se você já se perguntou o que significa carioca, saiba que a origem da palavra é controversa: os cariocas podem ter recebido seu nome a partir de uma casa ou de um peixe! A teoria mais popular é que “kara’iwa”, em tupi, significa “homem branco” e “oka”, “casa”; a junção de ambos remeteria à “casa do homem branco”, expressão que os povos indígenas usavam para designar as construções que os colonizadores portugueses estavam edificando em suas terras.
Outros sugerem, no entanto, que a palavra viria de “akari”, termo com o qual os tupinambás designavam uma espécie de peixe, que serviu de apelido aos portugueses devido à semelhança de suas armaduras com o casco desse animal. De todo modo, quem nasce na cidade do Rio de Janeiro é carioca – e com muito orgulho.
5. O seu principal ponto turístico é atingido por raios todos os anos
O Brasil é o país com a maior incidência de raios em todo o mundo. No Rio de Janeiro, as constantes descargas elétricas ameaçam um de seus principais símbolos: o Cristo Redentor, considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. A explicação para a frequência do fenômeno é que a combinação de montanhas e grande concentração de água, como lagoas, baías e o mar, atrai descargas elétricas.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a estátua é atingida em média seis vezes por ano. Na maioria dos casos não há danos, mas algumas tempestades são capazes de destruir partes do monumento. Na cabeça da estátua, há uma coroa de espinhos que serve como para-raios. Mas, na dúvida, o melhor é estar bem longe do Cristo em dias de chuva.

6. Existem quase cinco favelas e comunidades urbanas para cada bairro do Rio
Tão marcantes quanto o Cristo Redentor ou o Pão de Açúcar na paisagem carioca, as favelas e comunidades urbanas se espalham por diferentes áreas da cidade. Segundo o Censo 2022, existem 813 favelas e comunidades urbanas no Rio de Janeiro, onde vivem mais de 1,35 milhão de pessoas, o equivalente a mais de um quinto da população municipal. Já o Sistema Municipal de Informações Urbanas do Rio informa que o município tem 165 bairros oficialmente delimitados.
Os dados mais recentes do IBGE mostram que o Rio de Janeiro está entre os principais destaques nacionais quando o assunto é população residente em favelas e comunidades urbanas. Para ter uma ideia da escala, se os moradores dessas áreas formassem uma cidade à parte, ela ainda estaria entre as maiores do país.
7. Um navegador holandês deu nome a dois bairros cariocas
Os nomes dos bairros do Rio poderiam contar a história da cidade. A maioria homenageia os antigos proprietários de terras locais, como Ipanema, fundada por José Antônio Moreira Filho (o Barão de Ipanema), ou Botafogo, por João Pereira de Souza Botafogo, cujo sobrenome era atribuído, em Portugal, aos especialistas em armas de fogo.
Assim, quase todos os nomes remetem aos colonizadores e à sua origem portuguesa. A exceção é o navegador holandês Olivier van Noort, que, segundo uma versão bastante difundida, inspirou a denominação de dois bairros tradicionais da Zona Sul. O nome do bairro do Flamengo seria uma referência ao navegador que tentou invadir a cidade pelo trecho de costa dessa região. Na época, os holandeses eram chamados, erroneamente, de flamengos. Urca (do holandês “hulk”), que corresponde a um antigo tipo de embarcação usada pela Holanda, seria a designação do navio de Van Noort.

8. O Rio é o berço do frescobol
Entre as curiosidades do Rio de Janeiro menos conhecidas está o fato de o frescobol ter surgido nas areias de Copacabana, na década de 1940. Seu criador, Lian Pontes de Carvalho, era dono de uma fábrica de tábuas e móveis para piscina e usava as sobras de madeira de sua loja para fabricar raquetes.
Depois que o frescobol foi proibido em Copacabana, seus praticantes começaram a frequentar outras praias para poder rebater a bolinha em paz, o que acabou contribuindo para a disseminação da atividade. Hoje, o jogo é uma das formas de lazer mais populares no litoral brasileiro e tem até um dia comemorativo, 10 de julho. O escritor Millôr Fernandes, que ajudou a popularizar a prática, sabiamente constatou: “Único esporte com espírito esportivo, sem disputa formal, vencidos ou vencedores”.
9. Mais de 100 ilhas acompanham o seu litoral
A natureza foi generosa com o Rio. Os marcos naturais, como maciços, baías, lagoas, rios e morros, se misturam harmoniosamente à metrópole, criando paisagens de beleza impressionante.
Ao longo de seu privilegiado litoral, com cerca de 250 km de extensão, existem mais de 100 ilhas. Muitas dessas estão na Baía de Guanabara, como a Ilha do Fundão, onde se encontra a Cidade Universitária da UFRJ; a Ilha do Governador, sede do Aeroporto Galeão; e a Ilha de Paquetá, repleta de pontos arquitetônicos e paisagísticos tombados e preservados. Um dos arquipélagos mais famosos é o das Ilhas Cagarras, que pode ser visto da praia de Ipanema. O nome curioso refere-se à grande quantidade de excrementos de aves marinhas que ali vivem.

10. O Rio tem o recorde mundial de público em uma partida de futebol
Essa não é uma lembrança feliz para os torcedores brasileiros, mas um certo jogo entre Brasil e Uruguai entrou para a história. A partida que decidiu o final da Copa do Mundo de 1950, a favor do nosso vizinho sul-americano por 2×1, reuniu o maior público em uma partida de futebol, recorde registrado pelo Guinness.
Segundo a Fifa, quase 200 mil pessoas foram ao Maracanã – um total de 173.850 pagantes e cerca de 20 mil não pagantes. O Maraca pode até ter grandes dimensões, mas só foi possível comportar tanta gente porque naquela época a maioria dos torcedores ficavam em pé – nas gerais, sempre cabia mais um.
A partir dos anos 90, os estádios brasileiros foram remodelados para respeitar as leis de segurança e as exigências da Fifa, incluindo a obrigatoriedade de assento para todos os torcedores, o que reduziu a capacidade de público. Hoje, o Maracanã pode abrigar oficialmente cerca de 78,8 mil pessoas e sequer aparece entre os cinco primeiros colocados no ranking dos maiores estádios do mundo.

Curiosidades sobre o Rio de Janeiro: dúvidas frequentes
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