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O que é fazer um mochilão?

Quer saber tudo sobre como fazer mochilão? Embarque nessa viagem com Zizo Asnis, autor dos Guias O Viajante, e entenda o que é ser mochileiro, o que significa mochilar e veja dicas!
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É improvável encontrarmos a palavra “mochilão” num tradicional dicionário, mas todo bom viajante sabe o significado de mochilar: uma grande jornada por um grande lugar que se converte numa grande experiência.

O “grande” em questão é relativo, mas o sufixo “ão” já dá uma ideia de aumentativo. Por certo, não é um passeio qualquer a uma praia vizinha.

Pode ser um mochilão de 15 dias, mochilão de um mês, mochilão de um ano (ou ainda mais tempo). Pode ser mochilão pelo Brasil, mochilão pela Europa, mochilão de volta ao mundo (ou para qualquer outro lugar). Pode ser um mochilão acompanhado de namorado/a, amigo/a/s, mochilão solitário (ou muito bem acompanhado de si mesmo). E pode até ser um mochilão sem mochila, apenas uma mochilinha de mão…

Mas peraí, mochilão com mala é mochilão???

Ora, não vamos discriminar viajantes que sofrem de escoliose e não querem carregar um pequeno armário nas costas. Não é onde você guarda suas roupas a essência do mochilão (embora a mochila, sem ter que puxar uma mala pela mão, permita mais liberdade de movimento).

Como escolher a mochila para o seu mochilão

Quanto custa fazer um mochilão?

Muito também se atrela ao mochilão uma viagem sem muito dinheiro. Sem dúvida, mochileiros não se hospedam em hotel 5 estrelas.

Mas a grana curta não é um requisito para mochilar, e sim uma contingência da viagem, uma particularidade financeira do viajante – a grande maioria, afinal, são jovens que naturalmente, exceto se forem “paitrocinados”, não têm mesmo muita bufunfa, como se dizia antigamente. Mas nada que algumas dicas financeiras para o seu mochilão não possam ajudar.

Onde se hospedar durante um mochilão?

Hostels ou albergues, com seus quartos compartilhados, são a alternativa econômica de hospedagem, que ainda oferecem de bônus o contato e a troca de experiências com outros viajantes, que falarei logo adiante. (E ainda deve haver alguma tia-avó em algum canto que pense que ao se hospedar num albergue você vai dormir com mendigos…).

Se não há um período definido, um destino exato, uma obrigatoriedade de usar mochila e nem uma “necessidade de não ter dinheiro”, então…

O que de fato caracteriza o mochilão?

A resposta pode ser um tanto subjetiva: a intensidade da viagem. O vigor com o qual o viajante mergulha naquela aventura, de tentar conhecer a cultura local, interagir com nativos, ir além dos roteiros turísticos tradicionais, usufruir a sua independência e cidadania universal.

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Mais do que bater ponto em muitas cidades ou países e ainda num curto espaço de tempo, o mochilão prima pelo slow travel, que permite ao viajante vivenciar com tempo e tranquilidade, diferentemente de uma transloucada correria de acompanhar os horários de uma excursão guiada. Definitivamente, não é uma viagem tipo “um ônibus brasileiro na Europa” ou “conheça 12 países em 8 dias”.

Observação: não há nada errado com pacotes CVC do tipo que vendem viagens para brasileiros entre brasileiros, ou que propiciam visitar o maior número de países num curto espaço de tempo (já que não é sempre que se viaja a outro continente), nem mesmo uma excursão com guia e tudo organizado. Ótimo para o turista que já quer tudo definido. Sem problemas. Só que isso, meu caro, minha cara, não existe “mochilão CVC” – e não importa que a sua viagem no “ônibus brasileiro” seja de mochila.

A interação – deixar a vergonha de lado e começar a bater papo com desconhecidos (claro que com a devida cautela) – é intrínseco ao mochileiro. Aprender um idioma estrangeiro e adquirir uma fluência mínima é sempre um grande desafio – mas palavras básicas, como “oi”, “bom dia”, “por favor”, “obrigado” ou uma frasezinha como “vocês [nacionalidade em questão] são um povo muito simpático” é uma das tarefas essenciais do bom viajante.

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Outra questão, ainda no campo idiomático, é ter uma base de inglês. Você pode não gostar dos Estados Unidos e de quem eles elegem pra presidente, ou não simpatizar com o passado colonialista da Inglaterra, mas não pode negar que o inglês é a língua universal, e é através da qual todos os terráqueos se comunicam entre si. Então, se você no speak English mas quer mochilar, trate de aprender o básico e mais um pouco.

Claro que falar o idioma nativo é bem mais importante. Vai viajar pela América do Sul, muito melhor saber o espanhol. Mas ainda assim não despreze a língua de Shakespeare para o contato com outros viajantes.

Nem toda comunicação, entretanto, se dá pela palavra oral – um alento aos monoglotas convictos que ainda sonham em pegar a mochila. A gesticulação, a expressão facial e, principalmente, o sorriso têm uma participação fundamental e fazem parte da composição “o corpo fala”.  

Por que fazer mochilão?

Com tantas experiências novas, o mochileiro após a sua jornada não será o mesmo de antes. Aqui entra outra pauta importante e desafiadora nessa transição durante a viagem – período em que estará longe de sua casa, de sua família, de seus amigos: permanecer de fato longe. E não apenas fisicamente. Ou seja, diminuindo sua presença nas redes sociais.

Sim, eu sei que para muitos não tem graça viajar sem comentar no Facebook ou postar foto no Instagram, mas lembre-se que o mochileiro viaja para si, não para os outros, e de nada adiante atravessar um oceano se ele continuar a conversar com seus amigos no Whatsapp como fazia exatamente antes de viajar.

Onde fazer mochilão?

No meu livro Partiu! Tudo o que você precisa saber para viajar pelo mundo (editoras O Viajante + Belas Letras) classifico destinos de mochilão em quatro níveis, de acordo com a experiência do viajante: mochilão para principiantes, mochilão para intermediários 1, mochilão para intermediários 2, mochilão para avançados.

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Para principiantes, sugiro a Europa. O Velho Continente é afinal a região mais segura e bem preparada para receber viajantes, com inúmeros hostels em quase todas as cidades e uma ótima estrutura de transportes, dos maravilhosos trens europeus aos baratos aviões das companhias low cost, cujo valor das passagens aéreas pode ser mais barato do que o ônibus que você paga à sua cidade vizinha. Não é difícil fazer um mochilão de sucesso pela Europa.

Para intermediários 1, indico um mochilão pela América do Sul (hispânica). São os nossos vizinhos, portanto próximo de nós, brasileiros, não são muitos caros, e a barreira do idioma, principalmente para quem não fala inglês, é um problema menor, considerando a similaridade linguística entre português e espanhol.

Para intermediários 2, mochilão pelo Sudeste Asiático. É distante (mas não raramente rolam promoções de passagens aéreas para a Ásia, em especial à Tailândia), porém é barato, repleto de mochileiros e hoje conta com uma estrutura turística satisfatória.

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Para avançados, um mochilão pela África. Não é fácil viajar por lá, que, embora seja pobre e barato dentro da economia local, pode ser muito caro a um estrangeiro, e ainda, dependendo da localidade, quase sem suporte turístico. África do Sul é a grande exceção nesse cenário, e outros países também oferecem certa estrutura (principalmente os que vendem safáris), mas a África, como continente, ainda que abundante na sua riqueza cultural, é definitivamente um destino que pede mais experiência do viajante.

Se eu fosse escrever o livro hoje, provavelmente incluiria um quinto destino para mochilão: o Brasil. Mas confesso que ficariam em dúvida onde categorizar (para principiantes? Intermediários? Avançados?). Temos a facilidade óbvia da língua, mas e a segurança? A estrutura de transportes? Os preços? O que você acha?

E ai, está pronto para um mochilão?

Texto escrito por Zizo Asnis*, da Editora O Viajante.

*Zizo Asnis é autor e editor de 11 guias de viagem (a série O Viajante) e dos livros “Partiu! Tudo o que você precisa saber para viajar pelo mundo” e a narrativa “Transiberiana – Uma viagem de trem pelo mundo soviético (e por outros países que não me deixaram entrar)”.

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