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Como explorar as belezas do Jalapão sem agências de turismo!

Já pensou em explorar o Jalapão por conta própria? Sim, essa aventura é possível, basta seguir algumas dicas que explicamos aqui embaixo. Vem com a gente!

Atenção: em função da pandemia de coronavírus (COVID-19), algumas atrações do Jalapão estão com a visitação limitada por medidas de segurança – como é o caso das Dunas, da Cachoeira da Velha e da Serra do Espírito Santo. Para visitar esses atrativos, é necessário agendar com antecedência com um guia de turismo, agência de viagens ou condutor devidamente cadastrado no Cadastur. Antes de viajar, confira sempre as regras do local para onde você está indo e respeite os protocolos de segurança exigidos.

O Jalapão é um destino fora da curva. Selvagem, apaixonante e, como dizem os locais, “bruto”, pode ser visitado por intermédio de agências de viagem; ou da forma que ainda é pouco divulgada fora dos circuitos de off road e de jipeiros: por conta própria.

Como os passeios turísticos no Jalapão começaram com empresas de turismo, geralmente ouvimos falar só delas. Mas é possível evitar pagar pelo serviço e, o melhor, deixar essa viagem muito mais aventureira. Basta se programar e contar com um carro.

Veja outros lugares intagramáveis!

E algo que você precisa saber desde já: é chão! Prepare-se para andar muito pelas estradas de terra até chegar no próximo ponto turístico. Mas as paisagens valem a pena – e dirigir no estilo rally pode ser muito divertido se você tiver tomado as precauções necessárias para sua segurança.

Se você não tem veículo próprio, a gente te mostra como alugar um carro para conhecer Jalapão. Vamos nessa?

Onde fica o Jalapão?

A região do Jalapão faz parte de um mosaico de nove Unidades de Conservação divididas entre os estados de Tocantins, Bahia e Piauí. Mas digamos que é no Parque Estadual do Jalapão, localizado no centro-leste de Tocantins, onde fica grande parte dos atrativos abertos ao turismo.

Você sabia que…
O nome Jalapão vem da tradicional união entre a planta nativa “Jalapa” e a brasileiríssima cachaça? Os botequins de beira de estrada da região costumavam servir doses dessa infusão aos boiadeiros: uma dose era “jalapa”; duas doses “Jalapão”. Pronto, o nome pegou.

Melhor época para ir ao Jalapão

As belezas do Jalapão podem ser visitadas durante o ano todo, mas algumas épocas são melhores para quem pretende ir de carro:

Estação seca (de maio a outubro)

Nessa época, os trechos da estrada que têm mais areia podem ficar perigosos. Quando seca, a areia fica ainda mais fofa e exige atenção redobrada para evitar derrapar ou atolar (sim, na areia seca também acontece).

Estação chuvosa (novembro a abril)

Nessa época, apesar de correr o risco de pegar alguns dias chuvosos e alguns fervedouros com a água não tão límpida, é um pouco mais tranquilo de dirigir. Alguns trechos da estrada podem estar danificados, mas dirigir na areia não é tão preocupante, já que está mais compactada.

A questão é cuidar nos trechos de terra durante ou logo após a chuva, pois o barro desliza muito e os empoçamentos são frequentes – cuide especialmente se estiver com um carro baixo, o ideal é usar um pedaço de madeira para medir a profundidade do buraco.

Veja uma lista com outras rotas de carro que são perfeitas para uma aventura e ficam no Brasil!

Como chegar no Jalapão de carro

Com acesso facilitado a partir de Palmas, capital do Tocantins, o Jalapão pode ser conhecido em um roteiro quase circular. O trajeto mais comum é no sentido Ponte Alta do Tocantins (190 km de Palmas), Mateiros, São Félix do Tocantins e Novo Acordo.

⭐ Dica da Jade: você pode inverter a ordem, começando por Novo Acordo (118 km de Palmas), pois dependendo da época em que você for, viajar no sentido inverso pode ajudar você a fugir das excursões.

Os únicos trechos asfaltados são de Palmas a Ponte Alta e nos primeiros 100 km entre Palmas e Novo Acordo. Passando esses trechos, prepare-se para pegar estrada de chão. Costeletas (ou costelas de vaca, aquelas ondulações na estrada de terra) estão presentes em todo o trajeto – a tremedeira é garantida, especialmente para quem está no banco de trás.

Alguns trechos têm muitos buracos, portanto demandam mais atenção e velocidade mais baixa. Pesquise antes para saber os pontos mais críticos do círculo turístico. Inclusive, uma dica: não se fie pelo cálculo de velocidade que você costuma usar para outras estradas. A máxima aqui é 40km/h e olhe lá.

Precisa ir de 4×4?

Aqui temos um grande dilema. Muitas pessoas dizem que tudo bem viajar sem 4×4, afinal, quem mora no Jalapão e não tem caminhonete consegue se locomover com outros carros; outros dizem que é praticamente obrigatório um veículo 4×4.

Em nenhuma das situações você está livre de perrengues, mas com certeza, com um carro de tração 4×4 você viaja com muito mais tranquilidade. Mesmo que você entre em algum barranco ou atole, o 4×4 permite que você saia com mais facilidade.

Outra questão é que se algo acontecer na estrada, você depende diretamente dos outros motoristas para conseguir ajuda. E geralmente as caras não são as melhores quando você pede ajuda estando com um carro comum. Tenha consciência que a sua escolha impacta na vida dos viajantes que vão lhe ajudar também.

Além do carro, temos as variáveis época da viagem e motorista. Como falamos acima, dirigir na época de chuvas é mais tranquilo. Mas isso não quer dizer que alguém que nunca dirigiu em estrada de chão e não tem experiência com direção off road vá se dar bem. Dirigir no Jalapão não é brincadeira, só vá se estiver preparado.

Dicas para escolher um carro para o Jalapão

  • Se você prefere alugar um carro sem tração nas quatro rodas, pelo menos escolha um carro alto – e cuidado com as SUVs compactas, pois apesar de serem caminhonetes, podem ser muito baixas para esse tipo de viagem;
  • Nem todas SUV têm tração 4×4;
  • Algumas picapes parecem fortes, são um pouco mais altas, mas não necessariamente são 4×4;
  • Atenção aos carros que só têm nomes que remetam à aventura: muitos deles são urbanos e nem são altos;
  • Ao alugar um carro com caçamba, confira se que ela vem com a capa de proteção! Melhor perguntar para a locadora antes do que descobrir na hora da retirada do carro. Pelo menos você já vai preparado sabendo que tem que sair para comprar lonas e cordas para manter as malas em segurança e limpas (dica de quem passou por isso!);
  • Pesquise e reserve com antecedência! Quanto antes você alugar seu carro em Palmas, maiores as chances de conseguir uma 4×4.

Para encontrar carros 4×4 no nosso site, use o menu do lado esquerdo de nosso buscador e selecione a categoria Prêmio!

Super dica: se você pesquisou em nossa busca de aluguel de carros e não encontrou veículo 4×4, confira os preços de locadoras especializadas nesse tipo de veículo ou pesquise em sites menores – as locadoras menores alugam todos os carros e terceirizam o serviço, especialmente em feriados disputados, como o Carnaval e a Páscoa.

Quanto custa para alugar um carro para ir ao Jalapão?

Para você ter uma ideia de quanto custa o aluguel de carros em Palmas, fizemos uma simulação de uma viagem de 6 dias (tempo mínimo para quem quer aproveitar o Jalapão e um pouco de Palmas) em um carro da categoria Prêmio aqui no Skyscanner.

Viajando em maio, os preços seriam:

Aluguel Preço*
Diária do aluguel de carro A partir de 219
Aluguel por 6 dias A partir de R$ 1.314

*Pode haver cobrança extra das locadoras, para aquisição de seguro, proteção ou itens adicionais. Valores foram verificados na postagem e podem mudar sem aviso prévio. Use esses preços como estimativa antes de alugar seu carro.

Tem combustível em todas as cidades?

Esse é um ponto importante. O combustível depende do carro que você escolher, e geralmente só está disponível nas quatro cidades principais. A dica é abastecer sempre que encontrar um posto, só para garantir.

E sempre pergunte para outros viajantes ou moradores locais se sabem como está o abastecimento na próxima cidade. Geralmente notícias sobre a falta de combustível correm o Jalapão rapidinho.

Tire todas as suas dúvidas sobre aluguel de carros aqui!

Roteiro de carro pelo Jalapão

Pensou em um roteiro? Agora esqueça ele. Às vezes você pega um acidente na estrada, um atolamento, uma chuva inesperada, ou a noite vem e você ainda está no meio do nada.

Se você quer fazer uma viagem independente, é preciso ser flexível e adaptar seu roteiro inicial – experiência própria. Fique tranquilo que a viagem dá mais certo conforme o Jalapão indica o caminho!

Não tenha pressa!
O Jalapão tem sua forma de funcionar e não adianta ir com correria pro lado de lá. Se você vai viajar de carro, tenha calma e seja flexível. Nunca se sabe quando você vai atolar, quando vai ajudar alguém na estrada ou vai ter que esperar uma retroescavadeira desatolar outra retroescavadeira que por sua vez estava desatolando um caminhão (é sério!). Deixe fluir, pratique slow travel e aproveite o que a estrada tem para lhe trazer.

Quantos dias ficar no Jalapão

Em um feriado prolongado você já consegue ver muitas atrações. Mas considere entre 7 ou 8 dias para fazer um roteiro completo e com tranquilidade.

Roteiro Jalapão de carro

A dica de roteiro aqui é para dar uma ideia do que é possível fazer em uma viagem de 6 dias pelo Jalapão de carro. A experiência compartilhada é pessoal 😉

Ao longo da viagem tivemos que cortar algumas atrações em função de imprevistos e segurança, e escolhemos fazer o roteiro inverso pois era feriado de Carnaval e o Jalapão estava bem cheio. Dá uma olhada como foi.

Dia 1: Chegada em Palmas. Saída para Novo Acordo e São Félix

Expectativa: chegar em São Félix antes do anoitecer.

Realidade: o voo atrasou um pouco, tivemos que comprar lona para cobrir as malas no bagageiro da 4×4 (como comentei lá em cima) e pegamos a estrada trancada em função de um atolamento em série que comentei acima, de um caminhão e duas retroescavadeiras – Jalapão não demorou para impor respeito!

Enquanto estávamos esperando, conhecemos o seu Hélio, dono da propriedade onde está a Cachoeira das Araras. Logo escureceu, estávamos cansados e faltavam ainda 18 km até São Félix. Não deu outra: batemos na casa do seu Hélio, que nos recebeu com um cantinho coberto para camping. E foi sensacional, pois no outro dia já tomamos nosso primeiro banho de cachoeira no Jalapão, graças a essa sequência de imprevistos e à gentileza do seu Hélio, claro.

Dia 2: Fervedouro e praia do Alecrim, Fervedouro Bela Vista, Comunidade Quilombola do Prata

Expectativa: Voltar para o Morro do Gorgulho, Morro da Catedral e Cachoeira das Araras, seguir para os Fervedouros à tarde e passar a noite em São Félix.

Realidade: tivemos que deixar para trás os morros, mas visitamos o Fervedouro e a praia do Alecrim, almoçamos por lá, passamos em São Félix e seguimos até o Fervedouro Bela Vista.

A chuva no final da tarde nos proporcionou o outro imprevisto incrível: paramos na Comunidade do Prata para comprar lembrancinhas de capim dourado (indico conferir o açafrão da terra em pó e as lascas de buriti também), e descobrimos que era possível se hospedar na comunidade. Dormimos na casa dos queridos dona Darlene e seu Marçal, moradores da Comunidade Quilombola do Prata.

Dia 3:  Fervedouro Buritizinho, Cachoeira do Formiga, Fervedouro do Ceiça, Comunidade Mumbuca e noite em Mateiros

Expectativas cumpridas: visitamos os dois fervedouros, a bela Cachoeira do Formiga (onde dá para acampar também, deve ser lindo acordar lá e curtir a cachoeira sem ninguém), o Fervedouro do Ceiça e almoçamos tardiamente na Comunidade Mumbuca, que serve uma deliciosa e refeição caseira.

Depois seguimos para Mateiros. Só alteramos o local de hospedagem, pois gostamos muito do camping Cobra de Cabelo, onde a Cassiana nos fez sentir em casa.

Dia 4: Mirante da Serra do Espírito Santo, pôr do sol nas Dunas e noite em Mateiros

Expectativa: ver o nascer do sol do alto da Serra do Espírito Santo, visitar três fervedouros e ver o pôr do sol nas Dunas.

Realidade: o dia estava chuvoso, sem perspectiva de abrir, portanto, sem nascer do sol aparente. Aproveitamos para descansar e sair mais tarde para a trilha na Serra do Espírito Santo. A trilha é linda! Na sequência fizemos um lanche e já seguimos para aproveitar as Dunas antes do pôr do sol.

O pôr do sol foi entre nuvens, mas valeu. Noite em Mateiros de novo, jantamos em um buffet caseiro chamado Tempero Nosso, e seguimos pro camping Cobra de Cabelo.

Especialmente nas Dunas é melhor ter cuidado na saída, pois o céu já está escuro e as filas de carros são grandes. Evite grudar no carro da frente: mantenha uma distância segura para conseguir andar com tranquilidade e evitar atolar.

Dia 5: Comunidade do Rio Novo, Cânion Sussuapara, Ponte Alta do Tocantins e pôr do sol na Pedra Furada

Expectativa: Comunidade do Rio Novo, Cachoeira da Velha e pôr do sol na Pedra Furada.

Realidade: conhecemos a Comunidade do Rio Novo, mas as chuvas e estrada ruim nos fizeram desistir da Cachoeira da Velha, um desvio de 13km da estrada principal (26km ida e volta, o que poderia significar até 2 horas no estado que a estrada estava).

Resolvemos seguir com calma para o Cânion Sussuapara. Na sequência, procuramos campings em Ponte Alta do Tocantins e acabamos acampando na Eco Pousada Águas do Jalapão, um achado incrível, já que tínhamos à disposição toda a estrutura da pousada pelo preço de um camping. Foi maravilhoso para descansar no último dia!

Faltou dizer que conseguimos ver o pôr do sol na Pedra Furada e que foi mágico. Chegamos mais cedo, conseguimos tirar muitas fotos. Saímos bem tarde de lá, com a tranquilidade de já ter deixado as barracas montadas para a noite.

Dia 6: Palmas e voo de volta

A expectativa era visitar mais uma cachoeira no caminho, mas a chuva não colaborou. Decidimos ir para Palmas, conhecer a capital do Tocantins. Na sequência, devolvemos o carro e aguardamos o horário do nosso voo.

Onde comer no Jalapão

Estando de carro, uma super dica é comprar/levar um cooler com gelo. Assim você consegue comprar algumas coisas para fazer lanches enquanto estiver na estrada, ou tomar café da manhã em campings e pousadas.

Geralmente um almoço nos fervedouros ou nas comunidades locais custa entre R$ 20 e R$ 35 (preços de março de 2019) e é composto por um buffet simples, mas muito saboroso e com ingredientes locais.

Nas cidades-base, você encontra poucos restaurantes, mas pode ser que alguma feira de rua esteja acontecendo e você pode provar alguns pratos típicos locais.

É bem comum encontrar churrasquinhos: espetinhos de algum tipo de carne com acompanhamento de farofa, vinagrete e mandioca cozida.

Descubra pratos típicos que são verdadeiras paradas obrigatórias!

Onde ficar no Jalapão

Se você for acampando, é tranquilo achar um lugar, mesmo em cima da hora. Ir de barraca dá ainda mais flexibilidade para o seu roteiro pelo Jalapão de carro.

Se você quiser ficar em pousadas, é melhor reservar com antecedência, pois as acomodações são poucas e acabam sendo reservadas pelas agências de turismo, especialmente em feriados longos ou datas festivas na região.

Em um roteiro independente pelo Jalapão, considere passar pelo menos uma noite na Comunidade Quilombola do Prata, a aproximadamente 18 km de São Félix. A experiência é incrível, os moradores locais são muito amáveis e você ainda fortalece o turismo de base comunitária. Leia mais sobre a comunidade e seus projetos no site Belezas do Prata.

Seja consciente: respeite a natureza e as comunidades locais!

  • Esteja consciente de que o Jalapão não tem o apelido de “bruto” à toa. Vá com calma, respeite a estrada e o meio ambiente.
  • Uma vez no Jalapão, negocie os preços o mínimo possível. As pessoas que vivem ali estão distantes de centros urbanos e talvez sua única fonte de renda seja o artesanato, as refeições que oferecem, a venda de produtos orgânicos, ou a cobrança da entrada na propriedade para que você acesse uma beira de rio, uma cachoeira ou um fervedouro.
  • Cuide do seu lixo, e não descarte em qualquer lugar. Assim como os mantimentos demoram a chegar às vezes, o lixo demora a ir embora, ou é descartado de forma errada. Portanto, estando de carro, pense em levar as embalagens recicláveis de volta para Palmas, isso pode ajudar o meio ambiente.

Veja dicas para se tornar um viajante mais consciente!

Dicas práticas:

  • Pesquise o máximo que puder e saiba bem direitinho os lugares mais complicados para dirigir;
  • Baixe o mapa da região no Google Maps offline ou qualquer outro app desse estilo. O mapa da Eco Pousada Águas do Jalapão é muito bom e está bem disponível nos atrativos turísticos;
  • Leve dinheiro vivo. São poucas cidades que têm caixas eletrônicos e poucos estabelecimentos aceitam cartão de crédito;
  • Novamente: reserve de preferência um carro 4×4. Isso faz toda a diferença para conforto e dá segurança na hora de pegar a estrada;
  • Mais uma vez: o ideal é que você (ou quem quer que dirija com você) já tenha experiência em estradas de chão batido e off road;
  • Não custa repertir: para explorar o Jalapão de forma independente, é preciso estar aberto aos imprevistos e ter muita flexibilidade no roteiro.

Boa viagem!

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