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Futuro das viagens de avião: voando depois da pandemia

A pandemia do novo coronavírus teve um enorme impacto na indústria da aviação e nas viagens em geral. À medida que o mundo se transforma após o lockdown, higiene e segurança estão sendo priorizados mais do que nunca. O primeiro de nossos artigos sobre o Novo Mundo das Viagens analisa o futuro das viagens de avião após o surto de coronavírus. Conferimos quais novas medidas adotadas poderão permanecer como “novo normal”.

Coronavírus e os voos que não decolaram

De acordo com o site Statista, 4,5 bilhões de passageiros realizaram viagens de avião em 2019; e as estatísticas apontavam para um crescimento desses números em 2020. No entanto, a ocorrência da pandemia do Covid-19 obrigou que países fechassem suas fronteiras e recomendassem a seus cidadãos ficar em casa e fazer apenas viagens essenciais.

Muitos países fecharam totalmente suas fronteiras ou impuseram quarentenas rigorosas de até duas semanas – como aconteceu em diferentes países da Ásia e da Europa, mas, infelizmente, não no Brasil. Medidas destinadas a impedir a propagação do vírus colocaram a indústria de viagens de castigo.

Até o momento, voos domésticos foram retomados em partes da Ásia, incluindo China, Coreia do Sul, Cingapura e Índia, bem como na Austrália e em parte da América do Norte.

Vários países da União Europeia (UE) já abriram suas fronteiras aos estados-membros do bloco e outras nações da UE e do Espaço Schengen também se comprometeram a abrir as fronteiras entre si até o final de junho.

China e Cingapura abriram uma “via rápida” e estão em andamento as discussões entre Austrália, Nova Zelândia e Ilhas do Pacífico sobre a criação de sua própria “bolha de viagem”.

No caso do Brasil as notícias não são boas: o país segue com suas fronteiras fechadas para estrangeiros até 4 de julho. Além disso, passageiros cuja origem seja o Brasil estão proibidos de entrar nos Estados Unidos desde 25 de maio. E, ao que tudo indica, brasileiros não terão autorização para entrar na União Europeia a partir de 1º de julho.

Para obter um guia atualizado sobre as restrições de fronteira de cada país, consulte o mapa interativo do IATA Travel Center.

Viagens de avião: preparar para decolar

A pandemia ainda está longe de terminar, à medida que o número de novos casos continua a aumentar; somente o Brasil contabiliza mais de 1,3 milhão de casos. Mas, em geral, o clima global é de um otimismo silencioso, já que o futuro das viagens aéreas parece mais promissor hoje do que dois meses atrás.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, em inglês) divulgou dados mostrando que o total diário de voos aumentou 30% entre 21 de abril e 27 de maio. O número de pesquisas de voos cresce constantemente, assim como o número de reservas. A questão agora é quando e não se o turismo internacional será retomado.

Como o Brasil ainda não parece ter atingido o pico de contágio, a busca por viagens aéreas no país segue em baixa. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a demanda por voos domésticos caiu 91% em maio, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os dados do Google Trends mostram como higiene e segurança se tornaram duas das considerações mais importantes para os viajantes. Mais pessoas estão perguntando “é seguro voar agora?” e as buscas por “protetores faciais” (ambas em inglês) atingiram o mais alto nível mundial de todos os tempos!

Verificações de saúde no check-in

Todo mundo tem suas próprias razões para querer viajar de novo. Qualquer que seja o futuro das viagens aéreas, uma coisa é certa: as pessoas vão desejar se reconectar com amigos e familiares e vivenciar experiências em lugares que nunca haviam visitado antes.

Os viajantes terão uma vivência muito diferente daquela que estavam habituados. Os aeroportos introduziram uma série de novas medidas para tornar as viagens de avião mais seguras para viajantes e funcionários. Essas precauções incluem medidas aprimoradas de limpeza, mais serviços de autoatendimento e maior distanciamento social.

Os aeroportos estão fazendo o possível para reduzir a necessidade de contato humano. Por exemplo, os passageiros devem obrigatoriamente usar os totens de autoatendimento e medir suas temperaturas usando termômetros sem contato. As medidas gerais também incluem a necessidade de usar máscaras faciais o tempo todo e mais locais para higienização das mãos nos aeroportos.

Veja abaixo a lista completa de medidas para voar com segurança em rotas domésticas e internacionais:

Apertem os cintos de segurança… e as máscaras faciais

As companhias aéreas têm esclarecido aos passageiros sobre suas medidas de segurança. Nesse infográfico da LATAM, por exemplo, é explicado de forma resumida o que é o HEPA (High-Efficiency Particulate Air).

Esse é o filtro utilizado na maioria dos aviões modernos (e também em ambientes hospitalares) e que é capaz de remover os patógenos ao renovar o ar a cada 3 minutos. 

Outras providências incluem o uso obrigatório de luvas e máscaras durante o voo. E, em voos de longa duração, a troca de máscaras deverá ser feita a cada três horas.

Quem não consegue resistir às compras nas alturas pode se surpreender ao perceber que muitas companhias aéreas reduziram a oferta de alimentos e bebidas disponíveis para venda. Outras tantas interromperam totalmente o serviço como um esforço para reduzir o nível de interação a bordo.

Os passageiros devem permanecer sentados durante o voo, exceto quando precisarem usar o banheiro. Aliás, os banheiros também estão sendo desinfetados durante os voos.

Algumas companhias aéreas decidiram maximizar o distanciamento social no avião, vendendo um assento na fila e deixando os outros dois livres. Outras companhias decidiram manter livre justamente o assento do meio. No entanto, essa é uma decisão particular e que não foi adotada por todas as companhias.

Para um relato em primeira mão sobre o futuro das viagens de avião durante a pandemia do Covid-19, leia esse post sobre a experiência de voar de Paris a Toronto (em inglês).

Como será o futuro das viagens de avião?

Os especialistas em aviação consideram a pandemia do Covid-19 como o evento mais impactante do setor desde o seu começo, um século atrás. Como era de se esperar, existe muita especulação sobre quais novas medidas podem surgir como resultado direto desse evento global. Existem todo tipo de teorias, algumas mais plausíveis que outras.

Talvez vejamos a introdução de túneis de desinfecção, como os que estão sendo testados na China, e que limpam cada viajante da cabeça aos pés. A bagagem também poderá passar por uma limpeza profunda igualmente abrangente ao utilizar um nevoeiro desinfetante ou uma radiação ultravioleta capaz de matar bactérias.

As companhias aéreas estão pedindo aos passageiros que não voem se não tiverem se sentido bem nos últimos sete dias. Mesmo assim, as políticas adotadas pelas empresas incluem medir a temperatura antes de passar pela segurança e, em alguns casos, medir uma segunda vez antes de embarcar.

Essas medidas de saúde poderão ser estendidas a ponto de incluir exames de sangue que mostrariam se um passageiro está portando o vírus, mesmo que não esteja apresentando nenhum sintoma.

Ideias mais distantes incluem a possibilidade de o assento do meio ficar voltado no sentido inverso (para trás) e com telas de proteção entre os passageiros.

O aeroporto de Tóquio está testando o uso de máquinas de acionamento autônomo para passageiros de mobilidade reduzida. Completamente automatizadas, essas máquinas não exigem que alguém as empurre e assim é possível circular em uma rota pré-programada.

O que mais o futuro reserva para as viagens de avião?

Para nos ajudar a entender como poderá ser o futuro das viagens de avião, pedimos a alguns especialistas que nos dissessem o que pensam:

“A pandemia está rapidamente nos fazendo analisar de maneira mais aprofundada o motivo pelo qual viajamos. Em vez de torcer para que os negócios normalizem ou de esperar que os viajantes reduzam suas próprias emissões de carbono, as companhias aéreas devem assumir a liderança reduzindo suas próprias práticas não ambientais”. Holly Friend, escritora estratégica sênior, The Future Laboratory

“Por um tempo, você terá menos serviço e menos comodidades. Isso pode durar além da pandemia. Acho que a maior parte voltará, mas não até os viajantes de classe alta retornarem. Se as companhias aéreas estão apenas começando com tarifas baratas, não terão pressa em retornar o serviço de bebidas. Certamente mais autoatendimento veio para ficar”. Brian Sumers, editor sênior de negócios de aviação, Skift

“Assim como a segurança se tornou um ingrediente importante nas viagens aéreas neste século, a segurança da saúde se consolidará como outra camada do processo.” Peter Harbison, presidente emérito, CAPA – Centro de Aviação

“Saúde e segurança sempre foram uma prioridade para o setor de negócios, mas definitivamente será o centro do palco a curto prazo. A sustentabilidade também é uma questão que veio para ficar. Por todas essas razões, os processos de aprovação de viagens se tornarão mais longos e cada jornada será examinada de acordo com a necessidade”. Hazel Dawson, gerente comercial do consórcio de viagens de negócios, Focus Travel Partnership

Então aí está! Uma análise do futuro a curto prazo das viagens aéreas e algumas reflexões sobre como poderá ser a nova normalidade e como as companhias aéreas poderão responder ao mundo pós-pandemia.

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Texto original: Alex Jordan
Tradução e adaptação: Aline Bernardes
Revisão: Jade Knorre